sábado, 15 de maio de 2010
Prémio Aurélio Fernando
Sonhos, onde estão?
Tudo o que imaginei
Tudo o que pensei ser possível…
Afinal era ilusão.
Criei estradas,
Criei pontes,
Criei cada degrau que vês junto de tua janela,
Mas foi em vão…
Acabei sempre por desistir
Porque o último degrau é o mais difícil
E então percebi
Que não vale a pena lutar
Pelos sonhos que não se realizam…
Sofrer?
Para quê?
Chorar…?
Por quem?
Sonhava eu
Poder construir um MUNDO MELHOR
Sem guerras, diferença, morte…
Que era esse o último degrau na escada
Para alcançar a pura felicidade.
Inês Sofia Simões Pereira
Braga
Prémio Aurélio Fernando
Estava um velho sentado
Ao lado, uma criança
Ele dormia acordado
Ela olhava, confiança
Ao lado, jovem adulto
Mirava, de certo pensava
O miúdo presta culto
A quem - seguro - o amava
Duas gerações, extremos
Partida, renovação
Entre as duas, devemos
Ser fiel de relação
Francisco José Gomes Correia
Vizela
Prémio Aurélio Fernando
Reclamo um pedaço de mim
Pedaço que quer responsabilidade
Quer apenas trabalho para viver
E um grande amor e uma brincadeira
Um pedaço de mim é isso que quer
Entregar-se sem medidas a uma paixão.
A outra metade de mim tem medo
Tem medo porque já sofreu muito
Já sabe que há sonhos que são apenas sonhos
E nunca se apaixona assim facilmente.
O primeiro pedaço de mim diz que sim
A outra diz que não, por isso não vive
Não se ri, sofre. Não brinca, está triste.
Um pedaço de mim quer vencer, sucesso
Quer euforia, quer tempo para viver
Não deixa a vida o levar e sofre
Sofre com a dor dos outros
Sofre com os conflitos e está dividido
Entre o que é e o que gostaria de ser
Entre o que tem e o que gostaria de ter
O outro pedaço está satisfeito, este não
Este tem sonhos e desejos, este já teve
E depois acordo e há uma união
Junto os meus dois lados e reparo que sou eu
Diferentes lados que formam o melhor que eu sou
E sou e quero e fui e desejo ser
Cumprimento a vida
Abraço os sonhos
Vivo simplesmente
À espera de tempo para viver.
Acredito
Acredito,
Há muita gente que se limita
Há muitos que querem muito pouco
Que não vale a pena ao universo
Movimentar as suas energias.
Acredito,
Qualquer coisa serve para viver
O que sobrar é bom, aceita-se
São restos de tudo um pouco
De pão, de emprego e de vida.
Acredito,
Que há quem visita sem ser visitado
Dizem sim muitas vezes e querem dizer não
Que só reclamam se a chuva cai
O se faz sol ou se nada faz.
Acredito,
Que há quem pense também
Que dentro de si existe
Uma chama muito poderosa
Que pode transformar uma vida.
Acredito,
Que importa a determinação
O tamanho da auto-estima
Valorização e certeza para que
Acreditemos que o universo é o limite.
Fernando de Sousa Pereira
Ribeirão
domingo, 9 de maio de 2010
CONCURSO DE POESIA
A Oficina de Poesia e a Biblioteca do Externato Delfim Ferreira entregaram, na passada sexta-feira, dia 30 de Maio, os prémios da primeira edição do Concurso de Poesia – Prémio Aurélio Fernando.
A cerimónia decorreu no seu já habitual “Púcaros de Poesia”, este ano dedicado ao fundador e homenageado da noite, o Poeta Aurélio Fernando.
Os vencedores e os poemas premiados foram os seguintes:
1º Prémio – “Sou Assim”, de Luís António Silvestre de Mota Filipe
2º Prémio – “O Amor de Poesia”, de João Pedro dos Santos Marques
3º Prémio – “Mãe”, de Domingos Miranda Ferreira
SOU ASSIM
Eu…
Sou gaivota rasgando o céu,
Livre, solta, endoidecida,
Em busca de um sonho meu,
Duma enorme paixão vivida;
Sou o Rio, espelho d`água,
Correndo sem me cansar,
Esquecendo a dor e a mágoa,
P`ra na voz do amor partilhar;
Sou papoila que agita,
A bailar ao som do vento,
Amando este país que grita,
Num poema: uma prece, um lamento;
Sou onda que se agiganta,
Na imensidão do mar,
Quando escuto: amigo canta,
Lanço-me num fado a cantar;
Sou Serra guardando segredos,
Bosque de histórias e contos,
Desprezando mentiras, enredos,
Abraçando o mundo aos poucos;
Sou chama do Sol de Verão,
Nuvem escura a desabar,
Um misto de emoção,
Ao partir e ao chegar;
Sou do tempo, intemporal,
No espaço, esqueço a morada,
Um viajante imortal,
Uma alma apaixonada.
Luís da Mota Filipe
O Amor de Poesia
Apaixonei-me por uma menina
Simpática, bonita e divertida
É o meu amor de Verão
Sem ela não tenho vida.
Tem uns lindos olhos castanhos
E um sorriso deslumbrante
Corria por ela sete mares
Como os heróis no tempo do Infante.
É muito, mas muito engraçada
No desenho é uma perita
Bem-disposta e bem arranjada
Anda sempre muito catita.
O meu sonho quem me dera
Era que ela gostasse de mim
Mas só com magia de fadas
E com pós de perlimpimpim.
Por enquanto é só um sonho
Que é difícil de realizar
É preciso empenho e força
E que o amor ande no ar.
Com as notas deste poema
Conquistá-la-ei um dia
Toco-as todas as noites
Com amor de poesia.
João Pedro dos Santos Marques
Mãe
Tão cedo me deixaste
Era eu tão pequenino
Nem sequer te conheci
E não tive o teu carinho.
O teu calor senti
Que falta me fizeste
Para tudo me ensinar
Nas tristezas sofrer
E nas alegrias festejar
Mãe, que tristeza por te perder.
Um lindo neto te dei
E não o conheceste
Tantas lágrimas que chorei
Vendo nele o que fui
Sendo agora o que sou
De ti me lembrei.
A ti, Mãe, tudo eu deve
Pois do teu ventre brotei
E do teu sangue eu tenho
Minha Mãe, o que por ti já chorei.
Dizem que eras tão nobre
Com um grande coração
Partiste muito nova
E Deus te compensou
Para o céu Te levou
Onde estás sem sofrer
Arranja-me lá um lugar bem juntinho ao teu lado
Mãe, um dia te irei ver.
Domingos Miranda Ferreira
Breve Ciclo de Poesia
Breve Ciclo de Poesia
No dia 29 de Abril, a Biblioteca do Colégio encheu-se de mais cultura. Vários foram os poetas da nossa região que marcaram presença e partilharam com os alunos o que é “ser poeta”. Trocaram-se experiências, escritas, motivos, realidades e vivências, uma vez que os poetas presentes eram de várias idades, o que tornou o “Encontro de Poetas” muito enriquecedor.
Breve Ciclo de Poesia
No dia 28 de Abril, alguns alunos do terceiro ciclo participaram num workshop de poesia, integrado no Breve Ciclo de Poesia. A formadora desta actividade, Dr.ª Gracinda Castanheira, conseguir motivar os alunos a escreverem poesia, a explorarem vocabulário, a encontrarem a poesia dentro de si. Foi uma tarde de produção artística, de descoberta e muita, muita poesia.
sábado, 8 de maio de 2010
Aurélio Fernando, a Vida
Aurélio Fernando Martins Pereira
Nasce em Lordelo, Guimarães, a 27 de Abril de 1928. Filho de José Maria Martins Pereira e de Alzira Correia de uma família composta de quatro filhos, sendo o mais novo de todos os irmãos. Um partiu bem cedo desta vida e eterna saudade deixou, outros dois singraram no campo empresarial, com grande sucesso. A Aurélio Fernando estava destinado o caminho das letras, da oratória, da escrita ensaísta e sobretudo poética, para além de uma vida plena de Humanismo.
Colabora com várias Instituições locais, desde as Corporações de Bombeiros de Riba d`Ave e Famalicão, até à Fundação Narciso Ferreira, onde desempenha o cargo de Administrador.